Hackathon: o que é e como ele pode transformar sua carreira

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Uma das atividades que permite compartilhar conhecimento, experiência, evoluir a carreira e, ao mesmo tempo, impacta positivamente a comunidade é o hackathon, que vêm se tornando cada vez mais popular, principalmente por trazer benefícios tanto para quem participa quanto para quem organiza.

Atualmente, hackathons têm ampliado seu leque de possibilidades, permitindo que haja participantes não apenas da área de desenvolvimento de software, como também quem atua com design, consultoria, análise de qualidade, ciência e/ou engenharia de dados, machine learning, SREs (isto é, quem atua com engenharia de confiabilidade de site), redação técnica, gestão de projetos, clientes ou quem faz parte de empresas patrocinadoras em potencial.

Neste artigo, você vai conhecer um pouco da história por trás dos hackathons e entender quais seus benefícios para você descobrir novas carreiras e/ou potencializar sua carreira atual no mercado de tecnologia.

Um pouco de história e contexto sobre Hackathon


A etimologia da palavra “hackathon” é uma mescla de dois termos em inglês: ‘hack[ing]’ (no sentido de atividade e/ou programação exploratória) com ‘marathon’ (‘maratona’, em tradução livre, para se referir a um período relativamente longo e intenso de atividade).

Os primórdios do que hoje conhecemos por hackathons surgiram no início do século XX com Mahatma Gandhi.

Em 24 de julho de 1929, Gandhi decidiu organizar uma competição, para a época, inovadora: convidou pessoas que eram inventoras e/ou engenheiras em todo o mundo com o objetivo de conceber uma roda de fiar que atendesse determinados critérios e fosse relativamente leve e portátil. O prêmio era de 7.700 libras esterlinas (ou aproximadamente 694.000 dólares, para os valores atuais de acordo com a inflação).

Ao que tudo indica, o propósito de Gandhi era o de incentivar o avanço científico, encorajando mais pessoas a usarem rodas de fiar em suas casas, o que contribuiria para o maior desenvolvimento e produção de têxteis domésticos.  

Esse evento histórico promovido por Gandhi é comumente associado como uma das inspirações para o que, atualmente, chamamos de hackathon. Tempos depois, outros dois episódios consolidaram o nome e sua clássica dinâmica.

Primeiro episódio: comunidade OpenBSD

Em 1999, mais especificamente entre os dias 4 e 6 de junho, os engenheiros Theo de Raadt e Niels Provos, da comunidade OpenBSD, utilizaram o termo hackathon para se referir a um evento de desenvolvimento criptográfico em que dez pessoas, juntas, desenvolveram uma solução que resolveria alguns problemas legais com exportação de software criptográfico dos Estados Unidos.

Essa junção resultou na codificação da implementação de IPv6 (Protocolo de Internet versão 6) e IPsec (Protocolo de Segurança IP) integrada ao sistema operacional OpenBSD.

Segundo episódio: The Hackathon

Naquele mesmo ano do primeiro evento que a comunidade OpenBSD chamou de hackathon em seu contexto, mas desta vez entre os dias 15 e 19 de junho, a Sun Microsystems organizou um evento chamado “The Hackathon”, que ocorreu durante uma das famosas conferências JavaOne. 

Na ocasião, o então pesquisador chefe e vice-presidente do Science Office da Sun,  John Gage, desafiou as pessoas  a escreverem um programa em Java para o novo Palm V – um assistente pessoal digital feito pela divisão Palm Computing da 3Com –, usando a porta infravermelha para se comunicar com outros dispositivos Palm e registrá-lo na Internet.

O que o Hackathon traz de benefícios

Desde então, eventos do tipo hackathon começaram a se difundir pelo mundo e passaram a ser vistos pelo meio empresarial e acadêmico como uma forma de desenvolver rapidamente novas tecnologias (ou incrementar tecnologias já existentes), além de identificar promissoras áreas de pesquisa e inovação a serem fomentadas. 

Por outro lado, já do ponto de vista de quem participa, surgiu a oportunidade de demonstrar seus talentos e capacidades ao cumprir um propósito e atingir objetivos bem definidos, tendo como recompensa não apenas prêmios tradicionais, mas também a ampliação de sua rede de contatos, oportunidades profissionais, reconhecimento público e senso de realização.

A seguir vamos nos aprofundar em benefícios proporcionados por hackathons.

“Hackeando” sua carreira: como o hackathon ajuda empresas e profissionais?

Quando pensamos em projetos de software nas empresas, é comum termos o processo de implementar ideias que, em grande parte, foram definidas por quem está patrocinando o projeto ou por outras pessoas que vieram antes de nós.

No momento em que participamos de um hackathon e recebemos um propósito e objetivo bem definidos, somos relativamente livres para conceber os mais diversos caminhos para chegar à solução que nos pareça ideal.

Se considerarmos que o hackathon, por si só, é estruturado de maneira a refletir as dinâmicas e processos usados na empresa ou instituição que o organiza, essa vivência será bastante proveitosa para a pessoa que está participando, que poderá conhecer, em primeira mão, aspectos reais e cotidianos desse ambiente.

Por isso que, nesse sentido, podemos dizer que um hackathon permite uma vivência que expande nossas mentes, conhecimentos e dinâmicas interpessoais para além do que é proporcionado pelas nossas atividades cotidianas. 

Outra vantagem que o hackathon nos permite é a de validar ideias tal como em um laboratório já que, por estarmos em um ambiente de maior flexibilidade para dinâmicas e processos, é possível avaliar o que vale a pena ser promovido ou esquecido enquanto conceito que se confronta com a realidade prática. 

Essa chance, aliás, pode ser inestimável para todos os lados – empresas e profissionais – vislumbrarem e praticarem o potencial de metodologias ágeis aplicadas ao desenvolvimento de soluções, experimentando suas práticas e gerando confiança em sua adoção – sobretudo na era da transformação digital e da necessidade premente de que essa ocorra dentro das empresas.

Aplicando Hackathon ao contexto de produtos open source

Ao se aplicar hackathons a uma iniciativa open source que já existe ou está nascendo, isso possibilita fomentar, ainda mais, a sustentabilidade da iniciativa e a preservação da autoria da solução, proporcionando às pessoas que estejam participando um maior reconhecimento intelectual e autoral. Em outras palavras: permite que você deixe sua marca para o mundo ver, sentir e lembrar. 

Vale frisar que nem todo formato de hackathon é aplicado a open source – e, a princípio, você deve assumir que a propriedade intelectual gerada fica com a entidade organizadora. 

E se o hackathon não se aplicar a open source?

Mesmo no caso de o hackathon não se aplicar a open source, o hackathon não deixa de ser uma oportunidade incrível e transformadora. Afinal, você carregará a expansão dos seus horizontes, experiências e rede de contatos para sempre, além de poder transformar outras pessoas e entidades no processo com impacto do seu trabalho.

Iniciativas de hackathon para você se aventurar

Algumas possíveis formas de você vivenciar essa experiência é em iniciativas como:

  • Jornada Open Source Zup, uma experiência de imersão no processo de contribuição com open source (indo muito além do código).
  • Zup Hacktoberfest, uma iniciativa anual de hackathon aplicada aos nossos projetos open source.
  • Global Open Finance Challenge, um evento internacional focado em dados e em Open Finance organizado pelo Itaú em parceria com três bancos internacionais: CIBC, do Canadá, Natwest, do Reino Unido, e NAB, da Austrália. As inscrições estão abertas até o dia 26/09.

Inclusive, quer conhecer um pouco mais sobre a cultura de hackathon em Itaú e Zup? Então ouça nosso episódio de podcast sobre o tema:

Além disso, vale a pena mencionar também outras iniciativas das mais diversas áreas da indústria, tais como:

Que tal se programar para esse desafio, revolucionar sua carreira, conhecer pessoas geniais como você e ainda se divertir com nerdice de qualidade?

Acredite em si e participe de um hackathon!

Referências

Capa do artigo com a a palavra "hackathon" escrita em branco em um fundo escuro com detalhes pequenos e coloridos.
Foto Danilo Cominotti Marques
Developer Advocate e Especialista na Zup Innovation
Uma pessoa apaixonada por arquitetura e organização de computadores com mais de 12 anos de carreira em desenvolvimento e arquitetura de software.

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