Open Source: Desenvolvimento de Software do Brasil pro Mundo

Neste artigo você vai ver:

Projetos Open Source são grandes oportunidades, tanto para devs quanto para as empresas. Por isso, neste artigo vamos falar sobre o panorama do Open Source no Brasil, como ele é uma porta para a inovação e o que você ganha se aproximando deste universo. 

Afinal, o que é Open Source?

Se você não é uma pessoa do mundo da tecnologia, talvez nunca tenha escutado falar em Open Source ou pode não saber o que, de fato, significa a expressão. 

Traduzido para o português como código aberto, Open Source representa um movimento global de desenvolvimento colaborativo de tecnologia.  Esse tipo de projeto se refere a softwares que as pessoas podem modificar como e quantas vezes quiserem, além de compartilhar mundo afora. 

Engana-se quem pensa que o movimento Open Source é uma novidade. As primeiras iniciativas nesse sentido datam do começo da década de 80.

Em uma explicação simples, um projeto open source é como se fosse uma receita de bolo publicada na internet para quem quiser testar, contribuir com feedbacks e aprimorar com detalhes específicos. No final, é possível assar o seu próprio bolo ou até ganhar dinheiro comercializando ele. 

Para quem acha a analogia exagerada, saiba que até o mundo cervejeiro já foi “contaminado” pela cultura Open Source. Atualmente, existem receitas, equipamentos, softwares de controle e projetos completos para cervejarias artesanais, todos com código aberto.

Movimento Open Source no Brasil

Na primeira década deste século, o Brasil se tornou uma grande referência no setor Open Source, sediando diversos eventos da comunidade.

Um deles foi o Fórum Internacional de Software Livre (FISL) que, em sua 10ª edição, em 2009, reuniu mais de 10 mil participantes. No encontro foram debatidos assuntos técnicos, políticos e sociais por meio de palestras e reuniões, com participação de grandes nomes internacionais, além das principais empresas globais de tecnologia. 

Como o Open Source está presente no nosso dia a dia

Antes o movimento Open Source era voltado apenas para devs com paixão por um modelo disruptivo de desenvolvimento colaborativo de tecnologia e conhecimento. Porém, agora ele ganhou escala e passou a fazer parte das estratégias e do dia a dia das empresas que têm em seu DNA o objetivo de desenvolver produtos e soluções tecnológicas que facilitem a vida das pessoas.

Passado o frisson dos eventos da comunidade, o que vemos mais de 10 anos depois, é que o código aberto está tão inserido em nosso cotidiano que, por vezes, deixamos passar despercebido, por exemplo:

  • Carregamos um Linux dentro do bolso hoje em dia (Android), 
  • Assistimos a TVs pelo Linux (SmartTVs); 
  • Acessamos à Internet usando Linux (nos roteadores wi-fi); 
  • Conversamos com o Linux (assistentes de voz). 

Sem contar os milhares de componentes de software open source utilizados para o desenvolvimento de apps e sites. Além da computação onipresente na nuvem ou em dispositivos IoT

Não é exagero falar que nossa vida high tech atual só é possível pela ampla adoção de código aberto pela indústria de tecnologia.

Por que empresas investem em Open Source?

Você pode se perguntar como esta revolução aconteceu e como as empresas ganham dinheiro com isso, e a resposta é a inovação. Um novo modelo de desenvolvimento no qual a competição e a colaboração trabalham juntas, permitindo que a inovação seja capturada em qualquer ponto do ecossistema. 

O sistema operacional GNU/Linux é um exemplo disso. Empresas que competem arduamente em suas áreas de atuação colaboram no desenvolvimento, não apenas do kernel e do sistema operacional, mas também em uma série de softwares, bibliotecas e frameworks que o complementam.

Com esta abordagem, fabricantes de componentes de hardware garantem que a performance de seus equipamentos será maximizada pelo software otimizado. 

Já as empresas que vendem serviços de suporte e customização garantem, além da longevidade dos softwares, o pleno conhecimento dele e a capacidade de adequá-lo às necessidades dos seus clientes.

É importante destacar que grande parte dos serviços de nuvem disponíveis atualmente só é possível pelo uso de software de código aberto.

Por que profissionais de desenvolvimento deveriam conhecer e contribuir em projetos Open Source?

Para quem já acompanha esta evolução desde o final da década de 90, é interessante notar que muitas pessoas que trabalham com desenvolvimento de software utilizam softwares de código aberto como premissa básica de grande parte do que desenvolvem no dia a dia. 

Porém, uma parcela pequena destes devs contribuem, de fato, para os projetos de código aberto e, aqui, reforço que contribuições não são apenas código fonte. 

Documentação e relatórios detalhados de bugs são formas fundamentais de contribuição que auxiliam todo o ecossistema. Principalmente no caso dos bugs, isso ajuda  o time que trabalha no projeto a identificar rapidamente áreas de atenção e concentrar ali os seus esforços.

Contribuir com projetos open source é uma ótima maneira de apoiar o ecossistema de inovação no Brasil e no Mundo. 

Além disso, pode ser uma ótima porta de entrada para quem está começando na carreira em desenvolvimento de software. Falamos um pouco sobre essa oportunidade nesta live

Open Source na Zup

Na Zup, Open Source é coisa séria! Desde 2020, mesmo em plena pandemia, lançamos quatro projetos e muito conteúdo sobre o universo open source.

Inclusive, temos uma newsletter mensal só sobre Open Source. Eu recomendo fortemente que você assine essa news. Nela temos conteúdos de alto nível como essa live com o Open Source Evangelist, Bruno Souza

Voltando aos nossos projetos open source, os quatro combinados entregam uma tech foundation sólida para o desenvolvimento e deploy de soluções de software utilizando as técnicas mais modernas em suas áreas. 

Vamos conhecer um pouco mais deles?

Charles CD – Continuous Delivery

O Charles é um software para Continuous Delivery (CD) que oferece toda a segurança e confiabilidade necessária para colocar aplicações em produção. Com essa solução é possível criar círculos de usuários baseados em critérios flexíveis, permitindo principalmente fazer testes de hipótese em ambientes de produção. 

Já pensou em reduzir o tempo entre o surgimento de uma ideia de funcionalidade e a validação desta em ambiente real, sem afetar a imensa maioria dos usuários da sua aplicação? É isso que o Charles entrega.

Beagle – Server-Driven UI

O Beagle é um framework que implementa o conceito de Server-Driven UI, permitindo que as interfaces de aplicativos iOS, Android e Web sejam geradas de forma dinâmica através de um back-end. 

Ele possibilita ainda a sua utilização com frameworks nativos e incorporação em projetos já existentes, como uma área de experimentação em ambiente de produção.

Ritchie CLI – Interface de linha de comando

Já o Ritchie CLI oferece uma interface de linha de comando (CLI) expansível e customizável através de diversas linguagens de programação para automatizar tarefas repetitivas do dia a dia, podendo se integrar com bibliotecas já existentes ou outras CLIs. 

Imagine que uma pessoa profissional em desenvolvimento começa a trabalhar em sua empresa. Em poucas horas, ela já tem todo o seu ambiente de desenvolvimento integrado com a empresa configurado em alguns minutos, mesmo sem conhecer todos os detalhes de infraestrutura e serviços disponíveis. 

O Ritchie te permite fazer isso e muito mais, é um “canivete suiço” para qualquer dev. Além disso, ele auxilia a implementar o conceito de NoOps, reduzindo as dependências entre áreas de devops e desenvolvimento.

Horusec – Security Analysis Tool

Por fim, o Horusec é uma ferramenta open source que realiza análise estática (SAST) de códigos para identificar falhas de segurança durante o processo de desenvolvimento.

Além disso, o Horusec conta com a funcionalidade Leaks que busca vazamentos de chaves e falhas de segurança em todos os arquivos do seu projeto e também no histórico do Git.

Open Source no Brasil: um ecossistema de inovação

Segundo o Evans Data Corporation, em 2024 o Brasil alcançará a 5ª posição como país com o maior número de profissionais de desenvolvimento de software no mundo (passando o Japão). Números como esse estão chamando a atenção de empresas no mundo todo. 

Estamos deixando de ser apenas consumidores de tecnologia para nos tornarmos um importante player global no desenvolvimento de software. 

O software de código aberto é fundamental para apenas absorvermos com maior rapidez o estado da arte do que é desenvolvido internacionalmente. Além disso, mostra ao mundo –  através de código fonte – todo o potencial das pessoas desenvolvedoras brasileiras.

Que tal iniciar sua jornada em projetos open source com os desenvolvidos no Brasil? Aproveite as vantagens como grande parte das equipes falam o seu idioma e estão acessíveis (e morrendo de curiosidade) para ouvir a sua opinião sobre os projetos e, é claro, aceitar as suas contribuições.

Jomar Silva
Head of Technology
Jomar Silva é engenheiro eletrônico, especialista em Padrões Abertos e Open Source.

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