Manifesto Ágil: 20 anos

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Em 2021 o manifesto ágil completa 20 anos. Com ele, a gestão de projetos e o desenvolvimento de software nunca mais foram os mesmos.

Acompanhe no artigo a seguir como nasceu o documento, seu impacto e como que, depois de duas décadas, o manifesto ágil continua tão atual.

A origem do Manifesto Ágil

No inverno de 2001, mais precisamente nos dias 11, 12 e 13 de fevereiro no Resort Snowbird, Utah, nos EUA, 17 anarquistas organizacionais, como gostavam de se chamar, se reuniram para fazer uma grande revolução no contexto de gerenciamento de projetos e entrega de software.

Foi aí que aconteceu a “Lightweight Methods Conference” (Conferência de Métodos Leves, em livre tradução). A princípio alguns integrantes não se sentiam confortáveis com o termo “métodos leves”, pois ele não passava confiança. Foi então que batizaram de “Manifesto de Métodos Ágeis”, que da mesma forma não foi unanimidade, pois a palavra “ágil” remetia a velocidade e esse não era o foco.

A rapidez acaba sendo uma consequência, pois todos os esforços estão direcionados a entregas que agregam valor para quem realmente importa: O CLIENTE.

Os nomes por trás do Manifesto Ágil

Não podemos falar do manifesto ágil sem mencionar as pessoas por trás do maior documento do Agile. Por isso, confira aqui os signatários e os autores do manifesto ágil.

Inclusive, temos uma edição do Zup Open Talks com Kent Beck, que é um dos 17 signatários do Manifesto Ágil, sobre como utilizar as 12 propriedades para testes valiosos . Está imperdível.

Estrutura do Manifesto Ágil

O manifesto ágil é composto por 4 valores e 12 princípios. Eles direcionam e servem como base para saber se, de fato, estamos aplicando a agilidade.

Ilustração que mostra a diferença entre ser ágil e fazer ágil.

Os 4 valores do manifesto ágil

De longe os valores do manifesto ágil são os mais conhecidos quando falamos de agilidade. Neles valorizamos muito mais o que está à esquerda, mas reconhecendo os valores dos itens a direita.

Indivíduos e interações mais que processos e ferramentas

Quem constrói o produto? São pessoas. Quem usa o produto? São pessoas.

Sendo assim devemos dar muito mais valor para as pessoas e as suas relações do que se estão utilizando a ferramenta XPTO ou o processo XYZ, embora estes também auxiliam na visualização do todo e da automação de processos.

Pessoas são o centro de tudo!

Software em funcionamento mais que documentação abrangente

Só conseguimos validar se estamos no caminho certo se tivermos algo que possa comprovar e que tenha visibilidade e agregue valor para o cliente. A documentação também é altamente necessária e deve emergir do trabalho do time, mas o foco deve ser a entrega.

Colaboração com o cliente mais que negociação de contratos

Com o cliente como centro do negócio, a busca por facilitar a vida dele com processos menos burocráticos deve ser o foco. Tudo para que o cliente tenha sempre uma ótima experiência.

Responder a mudanças mais que seguir um plano

Mudanças são bem vindas. Afinal, de que adianta ter o plano mais perfeito se o ambiente exige empirismo? Quando as coisas mudam de contexto é preciso se adaptar e refazer os planos de acordo com o novo cenário.

Importante dizer! Muitas vezes o entendimento que se tem é que devemos valorizar os itens da esquerda ao INVÉS dos itens da esquerda. Porém, o correto é como está no manifesto, ou seja, “MAIS QUE”, não descartando os itens à esquerda.

Os 12 princípios do Manifesto ágil

Esquecidos por muitos, os princípios do Manifesto Ágil são a cereja do bolo para complementar os valores e o MINDSET ágil.  Por isso, vou colocá-los aqui e vamos conversar mais sobre cada um deles, ok?

1. Nossa maior prioridade é satisfazer o cliente através da entrega contínua e adiantada de software com valor agregado. 

O cliente é o foco. Por isso, devemos sempre estar atentos para coletar feedbacks com ele, sempre validando as entregas e se o que foi feito realmente resolve alguma dor.

2. Mudanças nos requisitos são bem-vindas, mesmo tardiamente no desenvolvimento. Processos ágeis tiram vantagem das mudanças visando vantagem competitiva para o cliente. 

Vivemos em um mundo onde a concorrência e inovação surgem de todos os lugares. Por isso, não podemos mais ser engessados a um plano que foi feito e segui-lo cegamente, sem considerar as mudanças que ocorrem.

3. Entregar frequentemente software funcionando, de poucas semanas a poucos meses, com preferência à menor escala de tempo. 

A frequência de entrega auxilia o direcionamento do produto para as necessidades do cliente, buscando o Product Market Fit. Por isso, diminuir o tamanho do lote das entregas facilita pequenos ajustes, tanto em implementação de código, quanto em novas funcionalidades.

4. Pessoas de negócio e desenvolvedores devem trabalhar diariamente em conjunto por todo o projeto.

Devemos criar um ambiente harmônico, onde negócios e tecnologia sejam um time. Um com a visão sobre “O QUE” deve ser feito e outro com a visão sobre “COMO” deve ser feito. Nesse movimento, se ajudando para atingirem juntos a satisfação do cliente.

5. Construa projetos em torno de indivíduos motivados. Dê a eles o ambiente e o suporte necessário e confie neles para fazer o trabalho.

Pessoas não são recursos, não são pecinhas de uma máquina que podem ser trocadas a qualquer momento. O papel da liderança na agilidade não está mais em chefiar e ser servido, um bom líder constrói uma atmosfera em que as pessoas possam desempenhar seu maior potencial.

6. O método mais eficiente e eficaz de transmitir informações para e entre uma equipe de desenvolvimento é através de conversa face a face.

É essencial utilizar o conhecimento coletivo de todos os membros do time. Uma conversa franca e direta tem muito mais valor que um e-mail ou uma documentação, pois faz com que o time exponha suas dúvidas e chegue a um denominador comum sem gap de entendimento.

7. Software funcionando é a medida primária de progresso.

Só sabemos que estamos atingindo a satisfação do cliente, quando conseguimos verdadeiramente entregar algo funcional que impacte no seu dia a dia. Se o cliente não tiver algo que funcione na mão, qualquer outra métrica não importa.

8. Os processos ágeis promovem desenvolvimento sustentável. Os patrocinadores, desenvolvedores e usuários devem ser capazes de manter um ritmo constante indefinidamente.

Não podemos nos esquecer que os membros do time são seres humanos e trabalhamos de maneira cognitiva/criativa. Em outras palavras, isso quer dizer que nem sempre trabalhar muito irá gerar mais resultados.

9. Contínua atenção à excelência técnica e bom design aumenta a agilidade.

Devemos focar em entregas com qualidade, mesmo que isso signifique reduzir a porção do que será disponibilizado para o cliente. Por isso, busque fazer bem feito logo pela primeira vez e evite retrabalhos.

10.  Simplicidade – A arte de maximizar a quantidade de trabalho não realizado – é essencial.

Sem engenharia espacial para solucionar um problema! Muitas vezes a solução de problemas complexos está justamente na simplicidade.

11.  As melhores arquiteturas, requisitos e designs emergem de equipes auto-organizáveis.

A palavra-chave aqui é “emergem”. Devemos desenvolver conforme a necessidade, pensando sempre em formas iterativas e incrementais de construir uma solução.

12.  Em intervalos regulares, a equipe reflete sobre como se tornar mais eficaz e então refina e ajusta seu comportamento de acordo.

A autoavaliação é fundamental para entender os pontos fortes e fracos da equipe. Estes devem ser sempre trabalhados em conjunto e avaliando como cada indivíduo pode auxiliar no crescimento do todo, buscando sempre melhoria contínua (Kaizen).

Manifesto ágil 20 anos depois: o que mudou

Duas décadas se passaram, mas o manifesto ágil ainda é novidade para muita gente. O resultado disso é que ainda nos pegamos presos em discussões primárias, como por exemplo:

  • qual framework é melhor que o outro;
  • querer por ter um escopo fixo e brigar quando o objetivo de negócios muda;
  • achar que colocar mais pessoas em um time vai fazê-los entregar mais rápido;
  • segregar as etapas do fluxo (negócios, desenvolvimento, qualidade, operação);
  • achar que papéis são cargos;
  • entre muitas outras.

É preciso clarificar: fazer ágil é diferente de ser ágil.

Fazer, significa utilizar frameworks, práticas e ferramentas que até ajudam a entregar um produto com melhor qualidade. Ser, tem mais a ver com a forma de pensar, empático e apaixonado pelas pessoas que criam e utilizam o produto.

Não podemos ser pessimistas, há empresas que estão bem evoluídas, mas ainda estamos muito longe de atingir o que aqueles 17 anarquistas organizacionais sonharam em um final de semana num resort em Utah.

Com todas essas provocações, você é ágil ou faz o ágil?

Carol Vilas Boas
Dev Advocate, Community Sponsorship Manager at QaLadies and Jornada Colaborativa, Speaker and Writer.

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