Design e Acessibilidade: criando produtos acessíveis

Neste artigo você vai ver:

Quando se é designer de experiência com foco na usabilidade, o UX Designer, o critério básico para o início de um trabalho é sempre priorizar quem está usando o produto, isso não é segredo para ninguém. Mas você deve se perguntar: quando acontece o encontro entre design e acessibilidade?

Ainda na parte conceitual de qualquer produto digital, focamos no público médio, aquele formado pela maioria das pessoas, para o qual é destinado a principal função de um produto. 

Desde a tampa do pote de geleia, feita sob medida por alguém que pesquisou o tamanho médio das mãos das pessoas para que pudéssemos segurar e abrir confortavelmente. Até a altura da bancada da pia da cozinha, na qual pessoas altas enfrentam dificuldades diárias para lavar uma simples louça. Sim, alguém da área de ergonomia pesquisou a respeito da usabilidade. 

Bem, a vida é mais fácil quando se está na média, mas, nesse último caso, se você é muito maior que a média, vai ter dores constantes nas costas na hora de lavar louças.

Seguindo esse pensamento, um público que é constantemente esquecido ou até ignorado e não está nessa “média” são as pessoas com deficiência. 

Enxergar esse público é um desafio para grande parte das pessoas que fazem parte “da média”. Por isso, tenho tentado seguir alguns processos ao começar um projeto, o que tem me ajudado a pensar em públicos que não são contemplados pela maioria. É pensando nisso que vou escrever este artigo especial sobre o universo da acessibilidade do ponto de vista do design.

Design para todo mundo

Começar a falar de acessibilidade é entender um de seus princípios: desenhar para todo mundo. 

Mas o que isso quer dizer na prática?

Quer dizer que você não pode pensar em elaborar um projeto e no seu fluxo de trabalho colocar uma etapa para “implementação de acessibilidade”. 

Por mais que essa seja uma realidade para empresas e clientes, seguir dessa forma torna o processo ineficiente e passível a erros. 

Por exemplo: na criação de nomes de botões diferentes para o leitor de tela, uma tecnologia comumente usada por pessoas com deficiência visual, e criar um botão para as demais pessoas que visualizam a tela, gerando assim, duas soluções apartadas.

Ou em outro exemplo: você vai projetar uma tela que vai ser implementada em HTML e precisa que o time de programação crie um tratamento diferente para o código, somente para que a acessibilidade funcione, este não é o jeito ideal. 

Isso falando em termos de entregáveis. Quando estamos na descoberta do produto, também é importante entrevistar e conhecer PcDs (pessoas com deficiência) para um maior entendimento do processo. Afinal, são estas pessoas que convivem com a falta de acessibilidade na web e podem fornecer bons insights para melhorias.

Design e Acessibilidade: princípios básicos para se ter em mente

Não se esqueça que o princípio máximo da acessibilidade é desenhar para todo mundo. 

Se você tem um botão que precisa ser lido de forma diferente, o ideal é que você já coloque o título dele exatamente da forma que será lido.

Ou se seu botão é apenas um ícone gráfico, seria legal que um texto fosse colocado junto ao ícone. Assim ele funcionaria para pessoas com deficiência e para as demais pessoas.

Quando você lembra da audiência que necessita de acessibilidade, você já está atendendo o público regular, sem distinção. E é isso que queremos: PcDs não precisam ser tratados de forma distinta. 

Pensar em desenhar para acessibilidade desde o início

Agora, irei abordar a importância de pensar a acessibilidade desde o início do processo, e não como uma etapa apartada de todo o fluxo. Não é tão difícil quanto parece, mas precisamos ter atenção para levantar a discussão o quanto antes.

Deixar a acessibilidade como um processo apartado pode nos levar a alguns erros e inconsistências durante o fluxo de trabalho. 

Portanto, tenha em mente que pensar em acessibilidade desde o início do projeto é fundamental.

Na prática significa…

Lembrar da acessibilidade e trabalhar com ela desde o começo do processo significa, por exemplo: 

  • pensar em quais serão os títulos dos botões; 
  • em como ficará a disposição dos elementos da tela, algo muito importante para quem usa leitores de tela;
  • como ficará o contraste de cor e fundo ao fazer um guia visual ou Design System; 
  • entre outros.

Pesquisas comprovam, inclusive, que priorizar a acessibilidade no design auxilia todas as pessoas, até quem não possui deficiência. 

Então, podemos concluir que cuidar da acessibilidade não gera nenhum impacto negativo, muito pelo contrário, é positivo para todo mundo.

Introdução à W3C e WCAG: estudando mais a fundo acessibilidade

Bom, vamos começar pelo básico dessa sopa de letrinhas. Vou colar aqui a tradução literal de como a W3C se explica para o mundo:

W3C: O World Wide Web Consortium (W3C) é uma comunidade internacional voluntária, criada em 1994 e desenvolve padrões abertos para a web. O W3C descreve suas diretrizes para acessibilidade da Web nas WCAG 2.1, que é essencialmente o padrão-ouro para as melhores práticas de acessibilidade da Web.

Enquanto a W3C é gigante, cheia de tópicos sobre boas práticas de código e como desenhar para a web, tornando-a confusa e difícil de ler para profissionais de design, os princípios de acessibilidade do W3C, a Web Content Accessibility Guidelines (WCAG), são um pouquinho mais fáceis e mais bem organizados, mesmo que possua um conteúdo híbrido para designers e profissionais de programação. 

A maioria das pessoas que trabalha com acessibilidade usa a WCAG como guia de estudos e de trabalho, portanto não é focada somente para quem desenvolve projetos.

O melhor é que a WCAG lista tópicos e separa por critérios de sucesso (A, AA ou AAA) e dificuldade de implementação (A da mais fácil, até a AAA, a mais difícil de implementar). Listando tudo (ou quase tudo) que pode te ajudar a chegar em um produto digital acessível, como “contraste mínimo de cor e fundo”, “títulos de botões” e por aí vai. 

Conclusão

Para iniciar de forma mais amigável e divertida essa conversa, tenha em mente esses tópicos:

  • saber que acessibilidade é desenhar para todo mundo;
  • pensar em acessibilidade desde o começo de um projeto;
  • lembra que WCAG será nossa bíblia daqui por diante. 

Neste artigo sobre acessibilidade na web trazemos mais detalhes sobre a WCAG, como por exemplo, seus princípios, diretrizes e critérios de sucesso. Leitura bem importante.

Ah, temos vagas! 

Tem alguma dúvida específica sobre o assunto ou quer compartilhar a sua visão do tema? Conte nos comentários!

Lucas Xavier
UX Designer
Além de cozinhar e mimar minha gata, adoro estudar sobre acessibilidade e entrevistar pessoas

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