Liderança feminina: um olhar sobre a situação atual

Neste artigo você vai ver:

Cada dia vemos mais mulheres em cargos de lideranças nas empresas, mas será que já há uma equidade em relação aos homens? Será que elas têm os mesmos reconhecimentos no trabalho? A resposta para ambas as perguntas é não. A liderança feminina tem características próprias que são extremamente benéficas para as empresas, mas os números de líderes mulheres ainda são baixos.

Neste artigo falaremos um pouco das características de liderança feminina e das dificuldades que ainda enfrentamos no dia a dia. Além disso, vamos trazer números para contextualizar onde já evoluímos e o que ainda resta conquistar. 

Números sobre Liderança Feminina no Brasil e no mundo

Segundo pesquisas da Mckinsey (Delivering Through Diversity – McKinsey 2017), empresas que possuem diversidade de gênero em equipes executivas possuem  21% mais probabilidade de obter lucros e 27% mais probabilidade de ter maior valor de criação. 

Importante citar que as empresas de melhor desempenho em lucratividade são as que têm mais mulheres em cargos de liderança que em equipes de staff.

Ainda sobre este estudo podemos citar que mulheres em cargos de gestão (entre 40% a 60%) geram melhor desempenho nas empresas e um aumento na satisfação de clientes e engajamento das pessoas colaboradoras

Falando sobre o mercado financeiro, as pesquisas apontam que existem apenas 18% de mulheres em cargos executivos.

Mas e no Brasil? Dados do IBGE de 2019 e divulgados em 2021 mostram que a fatia de mulheres em cargos de liderança cai no Brasil, e elas ainda ganham 78% do salário dos homens.

Segundo a consultoria de gestão Korn Ferry, mulheres são só 14% nos conselhos de administração de empresas de mais prestígio do Brasil em 2021. Número muito inferior aos Estados Unidos e Europa.

Empreendedorismo feminino, tantos ou até mais desafios

Até quando falamos sobre empreendedorismo, vemos diferenças importantes entre homens e mulheres. Pesquisa do Instituto Rede Mulher Empreendedora de 2021 mostra que empreender ajudou 48% das mulheres a saírem de relações abusivas.

Além disso, segundo o relatório Empreendedorismo Feminino no Brasil de 2019 do Sebrae, 44% dos negócios liderados por mulheres se caracterizam como “empreendedorismo de subsistência”,  contra apenas 32% no caso dos homens.

Enquanto isso, segundo dados do Boston Consulting Group (BCG) de 2018, startups fundadas por mulheres recebem menos investimentos, mas dão mais retorno.

Em outras palavras, onde não houve um aumento tímido, tivemos uma redução no número de mulheres em cargos de liderança nos últimos anos. Mesmo trazendo impactos positivos para as empresas. Não há dúvidas que ainda existe um longo caminho a trilhar.

Características da liderança feminina

Segundo a pesquisa da consultoria de desenvolvimento de liderança Zenger/Folkman, as mulheres líderes foram avaliadas como mais eficientes em 84% dos critérios, entre eles: 

  • capacidade de tomar iniciativas; 
  • agir com resiliência; 
  • investir no autodesenvolvimento; 
  • foco nos resultados;
  • integridade e honestidade.

Isso quer dizer que todas as mulheres em cargos de liderança possuem essas características? Também não é assim. Mulheres são pessoas diversas e assim suas características como líderes variam.

No ZupCast sobre Mulheres na Tecnologia também falamos sobre Liderança Feminina: diferentes perfis de liderança, expectativas criadas em líderes mulheres, entre outros pontos. Está bem bacana e eu recomendo o play. 😉

Porém, ainda baseada em algumas pesquisas, conseguimos destacar algumas características da Liderança feminina (que novamente: podem variar de pessoa para pessoa). 

Relacionamento interpessoal

Estudo da HBR BRASIL WOMEN IN LEADERSHIP SUMMIT 2015 indicam que lideranças femininas possuem como características típicas a colaboração e relacionamentos mais unidos com as pessoas que lidera. 

A pesquisa (feita com 360 avaliações) indica que mulheres se preocupam mais com o desenvolvimento das outras pessoas, se interessando com tudo o que acontece com o grupo que lideram e por valorizar o pensamento e o posicionamento de sua equipe, elas fazem com que todo mundo participe da tomada de decisão, fazendo com que sejam vistas como mais confiáveis na posição liderança. Ainda conforme o estudo elas são vistas como mais justas e comprometidas.

O estudo também mostra que as mulheres buscam conhecimento baseado na interconexão, compartilhamento e colaboração, o que resulta em um clima de aprendizagem dentro do grupo que lideram.   

Por fim, todas estas características fazem com que o time consiga seguir melhor suas metas fazendo entregas mais objetivas e consequentemente trazendo melhores resultados.

Formação de times mais diversos

Elas também compreendem a necessidade de ter times diversos, com ideias diversas. Assim, há mais riqueza no momento de criação e é possível encontrar ótimas soluções para problemas e projetos. Pesquisas da Mckinsey (Delivering Through Diversity – McKinsey) revelam como a perspectiva das lideranças femininas é diferenciado nesse quesito de incluir gêneros, raças e pessoas no ambiente corporativo. 

A Kauffman Fellows fez um estudo em 2019 que comprovou que empresas com mulheres na liderança empregam mais mulheres (como funcionárias, executivas, membras do conselho etc) do que as lideradas somente por homens.

Já o Índice de Igualdade de Gênero (GEI) de 2020 da Bloomberg mostra que empresas lideradas por uma CEO têm mais mulheres em cargos de gerência.

Clima organizacional 

A liderança feminina é mais abrangente, equilibrando, raciocinando e pensando de forma mais coesa. Essas características fazem com que elas sejam mais assertivas ao engajar, motivar e desenvolver seu time. 

Consequentemente elas conseguem auxiliar na criação de ambientes corporativos mais positivos, tornando as funções e pessoas da organização mais condizentes com seus perfis comportamentais.

Desafios enfrentados da liderança feminina

Uma liderança feminina traz vantagens para os negócios, para as pessoas e a sociedade. Porém, ainda existe um longo caminho a seguir para alcançarmos equidade no mercado de trabalho.

Fatores como machismo estrutural e sexismo cultural são grandes  fatores que existem como barreiras para que as mulheres ocupem ainda mais cargos de liderança.

E os efeitos disso na saúde mental das mulheres são pesados. Por exemplo, estudo feito pela edtech Todas Group aponta que:

  • 70% das mulheres estão preocupadas ou deprimidas por causa do trabalho.
  • 63% estão tensas por causa da pressão no ambiente corporativo.
  • 51% das mulheres demonstraram impacto negativo na saúde mental por causa do  trabalho.
  • Somente 45% têm confiança de que podem conquistar tudo que desejam na empresa que trabalham atualmente.

Abaixo algumas situações e dificuldades que vemos no dia a dia:   

Jornada tripla de trabalho

Estudos do IBGE (Pnad contínua), apontam que as mulheres trabalham 21,4 horas (em média 3 horas a mais que homens) por semana em atividades consideradas do lar. 

Além do trabalho remunerado e das atividades domésticas, elas estudam mais. Assim, podemos dizer que elas têm uma jornada tripla de trabalho.

É importante que a sociedade reconheça esta situação e tenha cobranças justas sobre a mulher. Uma divisão igualitária de atividades domésticas é muito importante, assim como reconhecimento profissional pelas empresas. 

Já pela parte que cabe à mulher, é importante priorizar as atividades, por exemplo, estar focada no momento de cada uma delas, delegar atividades e contratar pessoas de confiança que as executem com sucesso. 

Não há uma fórmula mágica, é importante cada uma avaliar a sua rotina e criar a sua própria forma.

Preconceito

Mesmo nos dias de hoje ainda existe discriminação e preconceito contra a mulher no mercado de trabalho e os cargos de liderança são igualmente afetados por esta situação.

A mulher até pode ser bem aceita em alguns espaços, mas existe resistência moral e intelectual quando falamos de cargos mais estratégicos ou em áreas como tecnologia e finanças.

Uma liderança feminina pode criar um ambiente com maior cooperação no trabalho, porém ainda existem lugares que reproduzem sistemas excludentes e possuem lideranças não representativas. Distanciando mulheres de oportunidades e  diminuindo seus protagonismos.

Os estudos da Mckinsey (Delivering through Diversity – McKinsey), indicam que no Brasil teremos esta equidade de cargos apenas em 2049. E sabemos que a pandemia afetou muitos pontos na economia e no mercado de trabalho, então essa equanimidade pode estar ainda mais longe agora.

Síndrome da impostora

As mulheres costumam se cobrar demais. Estudo feito pela KPMG indica que 56% das entrevistadas que atuam em cargos de liderança têm medo que as pessoas não acreditem que elas sejam capazes de realizar suas funções. Motivo este que, às vezes, faz com elas tenham receio de se expor e acabam não assumindo cargos mais altos, mesmo tendo toda a capacidade para isto.

Aqui podemos falar um pouco da síndrome da impostora, onde a pessoa se considera pouco qualificada para o cargo que ela desempenha. 

Esta síndrome ocorre devido à fatores sociais, emocionais e psíquicos, fazendo com que a pessoa desconfie de suas habilidades, mesmo tendo um bom desempenho e se desenvolvendo profissional e pessoalmente, atribuindo seu bom desempenho a sorte ou a julgamentos de terceiros e não a sua capacidade de realizar suas atividades bem feitas e obtendo resultados positivos.  

Neste ponto é importante reconhecer que existe uma cobrança excessiva da sociedade e do ambiente ao seu redor e que isto está prejudicando sua carreira e assuma aquilo de bom que lhe cabe, sem medo e modéstia. Se a mulher se tornou líder é por mérito próprio, por seu esforço, seu bom desempenho e por suas habilidades.

O que a Zup tem feito para ter mais lideranças femininas

Além de diversas ações que você pode acompanhar em nossa página de Diversidade e Inclusão, a Zup tem se esforçado para trazer mais mulheres para cargos de lideranças.

Uma dessas ações é o programa Lidere como uma Mulher, que está potencializando o protagonismo de carreiras femininas na Zup para cargos de liderança. Conheça mais informações sobre a ação:

Conclusão

Com mais mulheres na liderança, conseguimos melhorar a qualidade do ambiente de trabalho, trazendo mais colaboração, ideias novas, uma equipe mais diversa, inclusiva e com melhores resultados para as empresas. Além disso, cumprindo com a nossa responsabilidade de diminuir os gaps sociais de mulheres no mercado de trabalho e em cargos de liderança.

Estaremos assim criando uma sociedade mais justa e um mercado de trabalho equitativo e diverso, gerando mais possibilidades e um futuro mais justo e acessível para todas as pessoas.

É importante para as empresas possuir uma liderança diversificada, que beneficia todas as pessoas. Além disso, as lideranças precisam representar o quadro de pessoas colaboradoras. 

E você, tem experiências sobre liderança feminina? Conta para a gente nos comentários!

Capa do artigo sobre liderança feminina onde temos três mulheres trabalhando juntas. Em primeiro plano, temos uma mulher negra com tranças afro e uma camisa florida sentada. Ao fundo temos duas mulheres, elas não são brancas, uma está de pé e tem cabelos longos, lisos e pretos e a terceira está no canto da mesa com e é possível ver que está sorrindo.
Katy Nahas
Vivência em gestão de projetos de Tecnologia da Informação, projetos estratégicos e de missão crítica, atuando em posições de liderança.

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