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5 dicas de privacidade para tornar seu 2021 mais seguro

A cada ano os desafios de segurança de dados aumentam, com ataques cada vez mais sofisticados. Isso foi ainda mais intenso em 2020, com o aumento (repentino) do home office e cenários de crise. Por isso, acompanhe a seguir algumas dicas de privacidade para deixar o seu 2021 mais seguro!

O ano da privacidade: 2020

O ano de 2020 foi considerado por muitos o ano da privacidade. Foram diversas legislações relacionadas ao tema entrando em vigor ao redor do mundo, com destaque para a CCPA (Califórnia Consumer Privacy Act), na Califórnia, nos Estados Unidos e a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), no Brasil.

 Já 2021 não deve ser um ano muito diferente disso! 

Outro fator que marcou 2020 foi a pandemia causada pela Covid-19 que causou uma adoção em massa do modelo de trabalho remoto. Isso enfatizou ainda mais a dependência da tecnologia e da Internet das Coisas (IoT) no dia a dia do trabalhador, assim como a alta conectividade geral que a maioria da população possui. 

Nesse sentido, aumentou a necessidade de ter atenção aos quesitos de privacidade de dados. Inclusive, o novo momento de legislações é um ótimo gancho para conhecer e saber exercer seus direitos como cidadão e consumidor.

Quer saber mais sobre a história da privacidade de dados? Então nós temos o artigo perfeito para você!

Pensando nisso, reunimos 5 dicas de privacidade de dados que podem tornar seu ano mais tranquilo. Vamos a elas?

1- Dê uma vasculhada nas configurações de privacidade dos seus fornecedores atuais

Reserve um tempo para verificar como estão as configurações de privacidade do seu aplicativo, site favorito e/ou qualquer fornecedor. É grande a possibilidade das configurações estarem organizadas de modo a beneficiar as empresas, dando direito a elas de coletar quaisquer de seus dados na medida que desejam.

A dica aqui é olhar a fundo a necessidade de cada caixinha estar marcada. Caso seu dado esteja sendo utilizado em troca de uma funcionalidade que não seja do seu interesse, desmarque!

2 -Preste atenção nas configurações padrões já preenchidas ao se inscrever em novos serviços

 Continuando a falar sobre o preenchimento do que você habilita ou não, ao se inscrever em novos serviços, preste atenção nas caixinhas que já vêm preenchidas. 

 A legislação de privacidade de dados brasileira, a LGPD, estabelece que o consentimento deve ser livre e, consequentemente, as caixinhas devem vir todas desmarcadas.

 Apesar disso, muitos sites e aplicativos ainda vêm com caixas marcadas por default (padrão). Afinal, o que eles mais querem é que o usuário não leia cada item e aceite os termos sem a devida revisão.

 Logo, um bom hábito é começar desmarcando tudo e voltar do início marcando caixinha por caixinha baseado na necessidade e funcionalidade desejada. 

3- Aceite apenas cookies necessários de sites 

 Atualmente, ao acessarmos qualquer site, uma das primeiras coisas que aparece na nossa tela são as solicitações de aceite de cookies. Um péssimo hábito que temos é clicar direto no “aceito” sem se avaliar os detalhes.

Atualmente os sites possuem diversas opções de cookies, que variam conforme a necessidade do usuário e também na medida das funcionalidades desejadas, que visam beneficiar os proprietários daquele site. 

Inclusive alguns desses cookies vão na contramão das boas práticas de privacidade e condicionam os serviços ao aceite integral dos cookies para poder acessar o conteúdo.

Portanto, a dica aqui é revisar atentamente os cookies aceitando apenas os necessários para entrega da funcionalidade desejada e evitar os sites que “exigem” aceite integral dos mesmos para obter o serviço desejado.

É chato, mas muitas vezes o melhor caminho é buscar outro site com o mesmo conteúdo ou funcionalidade. 

4- Busque conhecer a Legislação de Privacidade Brasileira

 Ler e entender uma legislação de ponta a ponta pode ser bem desafiador e cansativo. Por isso, viemos dar um “spoiler” dos pontos chave da legislação brasileira e das principais informações que podem te ajudar a ficar mais por dentro da lei.

Lembrando que a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) pode ser acessada em sua íntegra na internet.

 Primeiramente, o objetivo maior da LGPD é devolver o controle ao titular dos dados que há muito tempo estava nas mãos das empresas. 

 Com isso, a lei foi moldada em alguns princípios, dispostos no artigo 6°:  

  • Finalidade; 
  • Adequação;
  • Necessidade;
  • Livre Acesso;
  • Qualidade dos Dados;
  • Transparência; 
  • Segurança;
  • Prevenção;
  • Não-discriminação e Responsabilização; 
  • Prestação de contas. 

 O entendimento destes princípios te ajudará a entender o direcionamento e expectativa por parte dos legisladores que a escreveram.

Segundo, a lei trouxe de forma mais clara os direitos dos titulares de dados pessoais, disposta no artigo 18°, tais como: 

  • Confirmação de existência de tratamento; 
  • Acesso aos dados;
  • Correção de dados incompletos, inexatos ou desatualizados; 
  • Entre outros. 

Vale ressaltar que nem todos direitos poderão ser exercidos, isso depende do nosso próximo ponto de destaque: as bases legais.

Por fim, a legislação também traz o conceito de bases legais que são como as justificativas que as empresas deverão se apoiar para conseguir tratar nossos dados pessoais. 

Por conta das bases legais, em algumas situações específicas os cidadãos podem ter suas solicitações negadas. Por exemplo, quando um usuário solicita exclusão de um dado que está sendo tratado por uma empresa, mas esta nega a solicitação, pois o dado está sendo tratado para cumprimento de uma lei. Nesse caso, o usuário não conseguirá exercer seu direito de exclusão dos dados, mas a empresa deverá informar de forma clara o motivo da negativa.

5- Atenção redobrada com as Políticas de Privacidade de Dados

Motivo de longas horas de dedicação de muitos advogados e corpo jurídico em geral das empresas, muitos usuários ainda não se dispõem a ler as Políticas de Privacidade de Dados antes de aceitá-las.

O objetivo central da Política de Privacidade de Dados é explicar as regras do jogo quanto ao tratamento de dados pessoais e coletar o consentimento do usuário ou consumidor. Por isso, deve ser de caráter informativo, com linguagem apropriada e que permita entendimento até dos leigos nos assuntos.

Pensando nisso, temos 5 pontos que podem ajudar na sua avaliação das Políticas de Privacidade de Dados e se proteger. Vamos a elas!

5.1- Fuja de empresas que usam termos genéricos na política

Dêem preferência às empresas que conseguem explicar de forma clara a necessidade de cada tratamento de dados pessoais.

Termos como “Usaremos seus dados de forma adequada e na medida do necessário” demonstram uma falta de transparência por parte da empresa. 

Mas o que procurar? Bons exemplos de termos específicos seriam “Coletamos seu gênero para direcionamento de produtos masculinos ou femininos” ou “Coletamos seu endereço de e-mail e telefone para entrarmos em contato em caso de problemas na entrega”.

5.2 – Não se deixe levar por “frases bonitas”

Não se deixem levar por frases como “Levamos privacidade a sério” ou “Privacidade está no nosso DNA”. O que revela a maturidade em privacidade das empresas é o grau de transparência e especificidade que a política de privacidade de dados consegue trazer.

5.3 – Tenha atenção aos pontos de contato com a empresa

 A maioria das Políticas de Privacidade de Dados trarão seus direitos como cidadão ou consumidor que podem ser um mero CTRL+C e CTRL+V das legislações.

Por isso, busque entender como você pode exercer seus direitos com a empresa, por exemplo, se é por meio de e-mail, telefone ou mesmo um portal. A praticidade no contato com a empresa determina o quão elevada é sua preocupação com privacidade.

5.4 – Opte por fazer negócios com empresas com políticas claras

 Valorize as empresas que conseguem trazer uma política de fácil entendimento (até para leigos) e de forma bem estruturada. 

Nem sempre é possível trazer uma política sucinta, isso vai depender muito da profundidade dos processos e serviços da empresa em questão. Mas o objetivo primordial de toda política de privacidade de dados é ser informativa, e se você não está entendendo já é um ponto a menos para a empresa.

5.5 – Busque ajuda quando precisar!

 Mas sabemos que ler e entender bem as Políticas de Privacidade de Dados pode ser uma missão difícil, afinal, uma das maiores mentiras da Internet é “Li os termos e aceito as condições”. 

A boa notícia é que há ferramentas para ajudar nesse processo que “traduzem” o que as políticas realmente querem dizer. Uma delas é a “Terms of Service; Didn’t Read” (ou de forma resumida: ToS;DR)

Dicas de privacidade: Preste atenção no que querem fazer com os seus dados

Espero que você tenha gostado das dicas de privacidade de dados e utilize esse conhecimento para proteger suas informações pessoais e da empresa em que trabalha. 

Compartilhe esse artigo e nos ajude a levar esse e outros conteúdos relevantes para quem precisa!

João Paulo Furtado de Carvalho
Analista de Controles Internos
Engenheiro com sede de conhecimento por Privacidade de Dados e Política. Amante de um bom vinho e séries nas horas vagas.

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