Métodos ágeis: os principais tipos da atualidade

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18/2/2021
Bradley Felipe Zanoni Fonseca
Bradley Felipe Zanoni Fonseca

Em busca de um mundo menos mecânico e mais humano, transformando ambientes em um lugar melhor para se trabalhar através de inovação.

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À medida que a transformação digital avança - principalmente com a aceleração causada pela pandemia - os métodos ágeis têm ganhado relevância, exigindo cada vez mais a aplicação e o aperfeiçoamento, com um objetivo: a busca de agilidade.

Quando o termo Agile é citado, você logo pensa em uma nuvem de palavras contendo, por exemplo, Scrum, Kanban, Lean, eXtreme Programming, e agilidade em escala como SAFe e Nexus.

Preparado para conhecer os principais tipos de métodos ágeis e quais melhor se encaixam na sua dinâmica? Então continue lendo!

Cenário dos Métodos Ágeis

Mas que agilidade é essa que tanto buscamos? Em um mercado digital, exponencial e com o cliente no centro, gerou-se a necessidade das companhias se adaptarem o tempo todo. Elas precisam melhorar seus produtos e identificar oportunidades de negócio cada vez mais rápido, buscando fazer parte da jornada do cliente.

Contudo, empresas fundamentadas nos métodos ágeis, conseguem ser mais dinâmicas, estando dispostas a pivotar sua estratégia de negócio e entregar valor rápido. Essas empresas roubaram a cena na última década e incomodaram as tradicionais Enterprises, demonstrando a efetividade dos métodos ágeis.

É bom deixar claro que não existe fórmula mágica, bala de prata ou uma receita de bolo. É importante conhecer em detalhes cada um dos métodos ágeis para entender qual se adapta melhor para a sua necessidade de negócio. 

4 dos principais Métodos Ágeis

A seguir apresento um pouco dos principais métodos ágeis do mercado e como eles podem se conectar nesse ecossistema da agilidade. Vamos conhecer os métodos ágeis:

  1. Lean Thinking (Pensamento enxuto)
  2. Kanban
  3. Scrum
  4. eXtreme Programming

1 - Lean Thinking

O Lean Thinking ou Pensamento Enxuto foi criado pelo engenheiro Taiichi Ohno e utilizado no sistema Toyota de produção. Esse método ágil busca privilegiar o valor agregado ao produto e eliminar os desperdícios da produção. Isso, a partir de ciclos de melhoria contínua (Kaizen) e respeito às pessoas, conforme seus cinco princípios básicos.

É fundamental para o pensamento enxuto, primeiramente, identificar o que agrega valor para o cliente final. Entende-se como “valor” características e funcionalidades de um produto ou serviço que os clientes buscam. 

Além do valor, outro princípio é identificar o “fluxo de valor” e eliminar atividades que não geram valor para o cliente, ou seja, quais etapas são de fato necessárias na produção deste produto, desde a matéria prima até a distribuição.

Após a adequação do fluxo é necessário garantir um ritmo sustentável na operação, sem interrupções ou filas. Essa é a etapa mais difícil de ser aplicada do Lean Thinking. 

O fluxo contínuo garante redução no tempo em que o valor é entregue para o cliente. Isso habilita o quarto princípio que é o “fluxo puxado”, onde praticamente o trabalho é sob demanda, sem a necessidade de grandes estoques.

O último princípio é a perfeição, que consiste no mecanismo de aprimoramento contínuo do processo, das pessoas, da tecnologia, dos materiais etc. É importante que cada pessoa envolvida no fluxo participe ativamente do processo de melhoria contínua.

2 - Kanban

Primeiramente, vale ressaltar que o termo kanban, de origem japonesa, significa “cartão de sinalização”. A metodologia recebeu esse nome pela utilização destes cartões (post-its) para destacar no fluxo de valor a posição das tarefas. 

Também não podemos confundir a metodologia Kanban com o quadro kanban, o quadro de uma das ferramentas utilizadas para visualização do fluxo. 

O sistema Kanban foi criado pela Toyota na década de 60 e adaptado por David J Anderson para desenvolvimento de software. Ele é uma ferramenta para o gerenciamento do trabalho de conhecimento, em que sua característica principal é privilegiar o fluxo, de forma a garantir consistência e fluidez com o mínimo de estoque.

Destacamos como as práticas do sistema Kanban, o próprio quadro kanban já citado, limitação de trabalho em progresso (WIP), prioridade nas tarefas em andamento, e a melhoria contínua.

Muitas vezes os times recorrem ao Kanban quando precisam entregar algo em pouco espaço de tempo e querem evitar as cerimônias como as do Scrum (vamos ver mais sobre isso a seguir) ou critérios de pronto. Porém, nesse caso é mais fácil recorrer direto ao “Extreme Go Horse”, já que essa abordagem não é correta, o Kanban também tem práticas, regras e cerimônias.

Quer conhecer mais sobre o que é kanban, suas práticas e cerimônias? Então o artigo “Kanban: tudo o que você precisa saber” é para você!

3- Scrum

O Scrum é um framework desenvolvido e mantido pelos signatários do Manifesto Ágil, Ken Schwaber e Jeff Sutherland. Ele tem o propósito de desenvolver e manter produtos complexos e adaptativos e é uma ferramenta altamente prescritiva, em que é recomendado seguir à risca suas definições para que se obtenha sucesso no projeto.

É importante dizer que o Scrum é fundamentado em três pilares: 

  1. a transparência em que deve haver uma linguagem comum entre todos os envolvidos no projeto de forma que, basta bater o olho e entender o que está acontecendo; 
  2. a inspeção frequente e ativa de artefatos e progresso; 
  3. a adaptação. 

Como resultado da inspeção, espera-se que ajustes sejam realizados constantemente evitando desvios maiores.

O Scrum é conhecido por:

  • Seus papéis;
  • Seus eventos;
  • Seus artefatos;
  • Suas regras.

Detalhamos cada um desses tópicos no artigo “Scrum: entenda os conceitos e como aplicar a metodologia”. 

4 - eXtreme Programming (XP)

O eXtreme Programming (XP) foi um dos métodos ágeis pioneiros quando falamos de agilidade. Ele foi adotado em um primeiro projeto em 1996 e teve seu livro publicado em 1999 por Kent Beck. Como o seu nome já diz, o eXtreme Programming busca elevar algumas práticas de programação a níveis extremos.

Através de técnicas de engenharia de software a XP busca elevar o valor entregue através da qualidade do software e evitar desperdícios por mudança de requisitos através de curtos ciclos de feedback.

A metodologia está estruturada em valores, princípios, atividades e regras, e nos fornece um conjunto de doze práticas:

  1. Programação em pares;
  2. Jogo de planejamento;
  3. Desenvolvimento orientado a testes;
  4. Toda a equipe;
  5. Integração contínua;
  6. Refatoração de código e design;
  7. Pequenos lançamentos;
  8. Propriedade de código coletivo;
  9. Design simples;
  10. Ritmo sustentável;
  11. Padrões de codificação;
  12. Metáfora do sistema.

Agilidade em escala

Indo além, o Manifesto Ágil inspirou a criação de ferramentas para aplicação da agilidade em escala, destinadas a grandes corporações com uma significativa quantidade de times. Muitas vezes cada equipe acaba tendo uma elevada quantidade de pessoas, agravando a complexidade da execução da agilidade.

Destaco aqui quatro das principais metodologias de agilidade em escala:

  1. Scrum-of-scrums é uma forma de conectar equipes que precisam trabalhar juntas para realizarem uma entrega de valor complexa.
  2. Nexus semelhante ao anterior, em que conecta várias equipes em torno de um mesmo Product Backlog. 
  3. SAFe é um grande framework focado na agilidade do negócio, destacando práticas de gestão de programas e portfólio.
  4. Flight Levels tem uma abordagem parecida ao sistema Kanban, porém para o gerenciamento de portfólio em diferentes camadas de gestão.

Poxa, mas como essas coisas se relacionam?

Primeiramente, o Pensamento Enxuto é um mindset, a filosofia que rege as startups e muitas outras empresas o têm buscado. Já Kanban, Scrum, XP, entre outras, são ferramentas. Ao observar atentamente, ambas compartilham da mesma filosofia e dão vida aos princípios Lean.

A proposta do Kanban é bastante centrada na cadeia de valor e do fluxo puxado, o Scrum traz uma ênfase mais pautada nos curtos ciclos de feedback e adaptação, e o XP foca nas práticas de engenharia. Porém ambos buscam o resultado de agregar valor ao cliente final e reduzir desperdícios.

Entre Kanban e Scrum, muitos julgam como concorrentes, mas isso não é uma verdade, já que devem ser considerados o contexto ao qual são aplicados. Com certeza, haverá situações em que uma ferramenta é mais indicada que a outra e até mesmo em que o indicado é a utilização das duas em conjunto - sim, isso é possível! 

Por exemplo, quando consideramos tratar o fluxo de valor dos nossos itens no Kanban e, em uma ou mais etapas do fluxo, utilizar o Scrum para gerenciar o trabalho dentro destas etapas e ainda o time de engenharia por adotar práticas do XP. 

Quer saber mais sobre Kanban X Scrum? Então o artigo “Scrum e Kanban: entenda as diferenças e qual escolher” é para você! 

Métodos Ágeis: ganho em produtividade e comunicação com os times

Os métodos ágeis, apesar da constante e acelerada evolução, ainda têm mantido o Lean Thinking no centro como filosofia, e o Kanban, Scrum e XP sendo utilizados em larga escala no mercado para o gerenciamento de entregas de software. 

Pensando em Lean, mesmo quando entramos no mundo de Product Manager, Product Discovery, Growth etc, essas iniciativas estão muito mais conectadas em potencializar o valor agregado ao cliente, e não ameaçam essas metodologias.

Ambas as ferramentas, se adaptam muito bem em cenários complexos e incertos. Acredito que equipes maduras e responsáveis se adequam mais facilmente ao Kanban, pois exige disciplina de cada um. Porém times com menos experiência ou novos são beneficiados pelo Scrum, principalmente pelo fato de adotar Sprints “time-boxed” e o seu escopo não poder ser alterado. Quanto às práticas do XP podem ser bem empregados em ambos os cenários.

E aí, qual dos métodos ágeis você utiliza no seu dia a dia? Compartilhe sua experiência aqui nos comentários!


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